terça-feira, 9 de dezembro de 2014

.

Gostava de ser melhor pessoa do que sou. 
Tenho tendência a magoar as pessoas que mais gosto e em quem mais confio. Não é por mal, é involuntário. Mas a verdade é que isso magoa e depois dói. Dói tanto que a dor se torna como facas a cortar a pele. Dói saber que não somos capazes de fazer alguém feliz. Dói saber que desiludimos aquela pessoa que apesar de tudo sempre esteve lá para nós e, quando ela precisou, não fomos capazes de a ajudar. Dói e continuará a doer saber que vamos magoar sempre alguém, não por mal, mas porque somos assim, mesmo que queiramos mudar.

sábado, 22 de novembro de 2014

Tudo muda, tudo se transforma.

O passado e todas as experiências por que passamos vão sempre influenciar aquilo que nós somos.
No outro dia um professor dizia "todas as experiências, boas ou más, marcam. Se eu vir uma pessoa a morrer à minha frente, exteriormente posso mostrar uma cara de assustado, mas a diferença vai ser interior, vai fazer mossa e irei lembrar-me sempre daquele momento".  Acho que isto se pode adaptar para as relações: temos uma relação (amizade, amor,...) com alguém, esperamos que tudo corra bem, vivemos com a intensidade que queremos aqueles momentos mas, quando tudo acaba, então aí uma parte de nós morre; deixamos de acreditar que realmente existem boas relações; inibimos qualquer sentimento para que ninguém nos consiga magoar. 
O ser humano é assim. E por vezes é o melhor a fazer.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Tudo acaba...mais rápido do que imaginamos

E se um dia olhares para trás e vires que perdeste centenas de oportunidades por medo de tentar, medo da opinião dos outros, medo do desconhecido? Imagina que amanhã não acordas... como te sentes ao saber que deixaste mil e uma aventuras por viver, enormes erros por cometer e biliões de pessoas por conhecer? 

Apesar de estar a escrever isto assim, a verdade é que eu também tenho medo de arriscar, de aproveitar uma oportunidade. Acho que todo o ser humano é assim... o pior é que nos esquecemos que o amanhã pode não existir, pelo menos para nós.  Vivemos eternamente com receio de nós e dos outros e não aproveitamos o que de bom existe na nossa vida. Passamos o tempo a trabalhar para ter dinheiro que não usufruímos dos dias de descanso, das férias em família, dos almoços e jantares com amigos.  Deixamos  de saber o que é o tempo pois o tempo deixa de existir face a todos os obstáculos que se metem no caminho da nossa felicidade.

Será que se soubéssemos que hoje é o nosso último dia faríamos e diríamos tudo o que em dias "normais" não temos coragem de por em prática?  

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Um dia os dias acabam...

Quantas vezes já te aconteceu pensares que tens tempo? Vou reformular: quantas vezes já pensaste que tinhas tempo para dizer algo e deixaste passar? Muitas vezes, imagino. 
Tu, tal como todo o ser humano acredita que não precisa de se expressar por palavras, que apenas os gestos importam. Foram, desde muito cedo, ensinados que o que verdadeiramente importa são as atitudes. É verdade, mas não só! É bom quando somos importantes para alguém e essa pessoa nos recebe com um abraço ou quando estamos menos bem e ela nos ajuda; mas também é necessário que, por vezes, ela nos diga que somos importantes, que nos diga tudo o que significamos para ela. Faz-nos sentir bem. Faz-nos sentir amados.  Acontece que, se nós gostamos que isto aconteça, os outros também gostam. Por isso, devemos, sempre que possível, mostrar o quanto gostamos da outra pessoa e dizer-lhe tudo o que nos vai na alma, mas acima de tudo no coração. 
Não nos devemos esquecer disto porque um dia todos vamos desaparecer, todos vamos deixar de existir. E depois, quando o tempo passar, vamos ser esquecidos por todos aqueles que fizeram parte da nossa vida. Apenas aqueles que nos amavam se vão lembrar. Quando esse dia chegar, espero que não te tenhas esquecido de dizer nada a ninguém, porque aí já vai ser tarde de mais

sábado, 7 de junho de 2014

Irmãos

"Só se percebe verdadeiramente a importância das coisas ou das pessoas quando as perdemos. Quando as consideramos tão garantidas como o ar que respiramos, nem pensamos no seu valor. Não fazemos contas, assim como um milionário não faz contas para ir à mercearia nem sabe as oscilações do preço da bica. Com os irmãos é assim que as coisas funcionam. E é por isso que funcionam tão bem.
Nós não sabemos quanto vale um irmão. Nem pensamos nisso. Pensamos todos os dias no valor incomensurável dos filhos e dos pais, sabemos o quanto vale cada amigo, mas não contabilizamos os irmãos. É diferente com eles. É diferente porque os irmãos são de graça. Eles caiem-nos ao colo sem planeamento, sem poder de escolha, sem pensarmos nisso. Também é diferente porque nós crescemos com eles e crescemos juntos em tudo. Começamos desde pequeninos a lutar, a brincar, a discutir, a partilhar a casa de banho, o quarto, as meias, os jogos, os pais e os outros irmãos. Eles crescem a meias connosco e por isso acabam por ficar mais ou menos nós.
E é por isso que os irmãos nos conhecem melhor que os nossos pais ou amigos. Conhecem-nos os tiques, as fraquezas, os gostos e as sensibilidades; sabem o que quer dizer cada expressão nossa, aquilo que nos faz chorar e os limites da nossa tolerância. Também sabem que podem ultrapassar todos esses limites porque nada acontece, porque não há divórcios de irmãos. Os irmãos não prometem amar-se na saúde e na doença até que a morte os separe. Não precisam: quer prometam quer não, quer queiram quer não, é mesmo assim que vão viver.
Em todas as outras relações é preciso tempo. É preciso guardar tempo e ter tempo para estreitar laços, criar cumplicidades, ganhar confiança ou aprofundar as relações. Mas os irmãos não precisam de tempo. Nós gostamos dos nossos irmãos o mesmo que sempre gostámos apesar do tempo. Nem mais nem menos um bocadinho que seja. Podemos passar anos sem nos falar que não é por isso que as cumplicidades, os laços, a confiança (muita ou pouca) se esvanece. Os irmãos são imunes ao tempo, à distância ou às zangas e isso torna-os à prova de tudo.
Com os irmãos, ao contrário do que acontece com todas as outras pessoas, também não precisamos de falar: basta estar. Se falarmos e rirmos uns com os outros, melhor, é uma espécie de bónus; se discutirmos, melhor ainda: quer dizer que podemos, quer dizer que somos tão irmãos que até podemos discutir violentamente e continuar a ser irmãos. Até ao fim."