segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Cancro

"Lamentamos informá-lo, mas tem cancro", já ouvi dizerem isto a pessoas da minha família 3 vezes: o meu avô, a minha tia, a minha mãe. Pensamos sempre que não nos vai acontecer, mas a verdade é que esse bicho mau vem ter connosco quando menos esperamos e ataca, de modo a que a pessoa em questão se vá abaixo imensas vezes, perca a força, perca a esperança; depois, com os tratamentos, perde o cabelo, volta a perder as forças e a sentir-se cansada. Quando finalmente consegue encontrar algo por que lutar na vida, começa a reagir e sente-se super bem. É aí, nesse momento que tudo piora, de um dia para o outro, perde as forças outra vez, perde a esperança de viver e, das duas uma, ou volta a encontrar algo onde se agarra e vence o cancro, ou é o cancro que vence.
Nestas três pessoas, apenas a minha mãe venceu esta batalha. Estive ao lado dela nos seus piores momentos, quando soube a noticia, quando foi operada; na altura da radio e quimioterapia, fui eu que lhe rapei o cabelo enquanto tentava não chorar. Fui eu que a ajudei a levantar sempre que se ia abaixo e quando começou a melhorar... Agora, já tem 3 anos desde que isto aconteceu. Venceu esta luta e é a minha heroína.

De qualquer maneira, estou a escrever isto porque hoje é um dia triste...nem todas as pessoas têm a sorte de vencer..foi o caso de uma grande amiga minha. Ela viu-me crescer, quando ela ia à horta, lá na santa terrinha, buscar morangos ou dióspiros, trazia sempre a mais a contar comigo; quando eu ia dar uma volta pelas hortas ao pé da casa dela, via-a sempre à janela. Ela era a mulher com força e garra. Tinha sempre um conselho e, apesar de todas as dificuldades, tinha sempre um sorriso no rosto, uma alegria fora do normal, uma palavra amiga. Era alguém que todos deviam conhecer! Alguém que eu esperava que vencesse.
Neste momento nem sei o que hei-de pensar, acho que ainda estou em estado de choque e ainda não consegui  raciocinar sobre isto. Acabaram de me contar e apenas perguntei se estavam a gozar comigo, é claro que a resposta foi negativa e, do nada, as lágrimas começaram a cair como à muito não caiam. Não lhe podia acontecer isto, não a ela! Há por aí tantas pessoas sem escrúpulos, tantos violadores, tantas pessoas que mereciam, porquê ela? Não sei, não sei mesmo. 
R.I.P Lurdes

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

13.02

Mais um ano que passou, mais um texto, mais uma dor que aparece dentro do meu coração. 
Por vezes sinto que estou a esquecer tudo... como se o tempo que passa faça com que esqueça os momentos que passámos juntos, os pequenos detalhes do teu rosto, o teu cheiro quando me abraçavas, a sensação de estar contigo. Sinto que, dia após dia, perco mais uma parte que te pertencia... Um dos meus maiores medos está a surgir - sinto que me estou a esquecer de ti. 
Podia ter feito muito mais do que fiz, eu sei. Podia ter-te ajudado quando mais precisavas e, não o fiz. Podia ter feito com que fosses ao médico mais cedo; podia ter falado contigo uma última vez e dito para não desistires, fazer-te ver o quão importante tu és na minha vida! Podia ter-te dito o quanto te amo, o quanto me custava ver-te sofrer. Podia ter-te dito mil e uma coisas e não o fiz. Achava que a nossa história não terminava por esses dias... enganei-me! E, como consequência, ficaste sem saber tudo o que sinto por ti. Se soubesses todas as noites que eu chorei agarrada à almofada para que ninguém me ouvisse de modo a que isso atenuasse a tua dor e a minha por te ver nesse estado e não poder fazer nada. Se soubesses o quanto ainda choro por ti, por tudo o que vivemos, por tudo o que não tive coragem de fazer ou dizer... 
Preciso de ti, não nos meus sonhos como apareces, onde consigo, de uma forma, reviver tudo e tentar mudar a maneira como tudo aconteceu,  mas fisicamente. Preciso de sentir o teu abraço apertado, o teu sorriso que me preenchia por completo; preciso de te ver, de receber os teus beijos, de fazer as longas caminhadas contigo. Preciso que me guies, aconselhes. Preciso de ti, aqui, comigo!
Agora é tarde de mais, mas primeiro lugar, e mais uma vez, desculpa. Por tudo aquilo que já te pedi em textos anteriores...pela falta de coragem, por não me ter despedido, por tudo aquilo que tu sabes. Desculpa. Em segundo, amo-te. Sim, amo-te e, apesar de nunca o ter dito, era, aliás, é o que sinto!
Já são 7 anos sem ti. E ainda dói, tanto ou mais.

Amo-te ontem, hoje, amanhã! Sempre ♥

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O conselho da "avó" Ermelinda

"Sara, nunca te esqueças que numa relação têm que ser os dois a querer! Se isto não acontecer, a relação está condenada ao fracasso!"

Foi isto que a  Dª/"avó" Ermelinda me disse no sábado à noite. Depois do jantar, fui ao café e estava a falar com ela sobre muitas das relações de hoje. As pessoas deixaram de ter aquele mistério, conhecem-se num dia, se for preciso, na semana a seguir estão a casar, não sabem o que podem contar da outra pessoa. Que tipo de relação é esta?
Não sei se ela me disse isto por alguma razão ou se simplesmente me estava a aconselhar, mas a verdade é que, neste momento, as suas palavras não me saem da cabeça, fazendo, minuto após minuto, muito mais sentido!  De que vale estar numa relação se apenas nós nos preocupamos em manter a chama acesa? De que vale ter esperança que algo mude, se volta sempre tudo ao mesmo? Não tenho resposta para estas perguntas, mas sei que não vale a pena sofrer por uma relação que não vai sair do sitio, onde apenas uma pessoa luta.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Tempo.

O tempo é algo engraçado... a toda a gente é dado o mesmo tempo, 24h por dia, 7 dias por semana. Mas então o que é isto do tempo? O que é ter tempo?

Ter tempo é ajudar nas tarefas domésticas;
Ter tempo é falar com o/a namorado/a à noite, depois da hora, por debaixo dos lençóis para não ser ouvido;
Ter tempo é brincar com os amigos na rua;
Ter tempo é estar a servir as mesas e largar tudo por uns momentos para abraçar um amigo que está mal e dizer "eu estou aqui, tudo vai correr bem!";
Ter tempo é não dormir porque se está a servir de ombro amigo;
Ter tempo é largar o que estamos a fazer para ajudar porque alguém está em apuros;
Ter tempo é deixar de estar em casa para ir ajudar os outros;
Ter tempo é ir passear com a família aquele sítio "do costume" porque é algo de família;
Ter tempo é abdicar de algo que gosto para poder estar com aquela pessoa que não está tão bem;
Ter tempo é ter a paciência de ouvir o outro até ao fim;
Ter tempo é amar;
Se o tempo é das coisas mais preciosas que temos pois ele não estica, cada vez que partilhamos o nosso tempo com o outro estamos a dizer "olha és importante, toma um bocadinho de mim, do meu amor". Sim é verdade nem sempre conseguimos articular as coisas, por melhor intenções que se tenha há obrigações (trabalho, estudos, tomar conta de filhos, etc...) e elas têm prioridade, mas nem sempre nem nunca (não há mal que sempre perdure, nem bem que nunca acabe), um dia haverá alguém a precisar de tempo, não de mais 30 minutos de vida, mas de 30 minutos a sentir-se amado e nesse momento há que escolher "Tenho tempo, ou não?"

Por muito que custe admitir, não é nos bons momentos, aqueles de pura diversão, que vemos quem são os nossos amigos verdadeiros. Os verdadeiros amigos são aqueles que, quando estás mal, deixam tudo e animam-te, que fazem as figuras mais parvas para te por um sorriso nos lábios, que estão contigo não só nos bons momentos, nas alegrias e vitórias, mas também nas tristezas e derrotas. São aqueles que te ligam para te contar algo; que fazem print screen de algo porque sabem que te interessa ou simplesmente acham que deves ver. Os verdadeiros amigos são aqueles que cumprimentam sempre com um insulto mas que tu sabes que gostam de ti. Verdadeiros amigos são aqueles que não precisam mais que um olhar, um gesto para saber que não estás no teu melhor. Verdadeiros amigos são aqueles que sabes que ficarão para sempre, com quem, possivelmente, vais fazer jantares em casa, ter as melhores aventuras.
Tenho muitos conhecidos, amigos, mas consigo contar aqueles que estão sempre lá, com quem eu posso contar seja a que horas for, tanto para o bem como para o mal...consigo distinguir aqueles por quem vale a pena lutar... consigo saber quais são os verdadeiros!