terça-feira, 20 de agosto de 2013

Já conheço o Renato desde que nasci e quase sempre tivemos uma amizade. Estivemos muito tempo afastados e ele chegou mesmo a "odiar-me". Há dois anos, na festa da terra do meu pai e da mãe dele, ele veio falar comigo, estava diferente, crescido, estava mudado, para melhor... já não era aquele rapaz que conheci! Fomos falando e desenvolvemos uma grande amizade. Hoje, sei que se precisar de algo ele vai lá estar, seja a que hora for. 
Muita coisa aconteceu e acabámos por ficar sem falar durante algumas semanas. Custou estar na mesma festa que ele e não falarmos, mas pelo menos sei que também lhe custou. Tentámos esquecer isto e acho que ambos conseguimos porque um pouco antes do feriado dos santos começámos a falar novamente, como sempre o fizemos! Mas mesmo assim haviam coisas para resolver... muitas perguntas para serem respondidas; muitas dúvidas... tudo isso se resolveu este fim-de-semana! No sábado, por exemplo, enquanto falava muito animadamente com o Nuno sobre a festa do Freixoeiro, o Renato não desviava o olhar; pouco depois, fui dançar e quando fui buscar bebidas, o Nuno veio, novamente, falar comigo a dizer que o Renato tinha ido falar com ele e tinha dito que não podiamos voltar a falar porque eu e ele iamos casar -.-'. Após ele me ter dito isto, confrontei o Renato e ele disse que não gostava de rapazes que se "atiravam" a mim...  Armou-se em protetor, para variar -.-'. Mas mesmo assim tínhamos que falar... e isso acabou por acontecer no domingo a noite. Tinhamos estado juntos na festa, eu, o Renato, o primo dele, o meu primo, o Nuno e mais uns moços do Chão de Lopes, a jogar matraquilhos e a beber um bocado, quando aquilo estava quase a acabar viemos embora para casa: o meu primo para a dele, o Renato foi levar o primo a casa dele e depois veio ter comigo, tinhamos que falar e dessa noite não podia passar! Quando chegou ao pé de mim, após falarmos um bocado sobre os últimos tempos, a festa, percebemos que há exatamente um ano, nesta altura não falávamos, fiz-lhe todas as perguntas que tinha, ele respondeu, fez-me as que quis e eu respondi-lhe. 
Já tinha saudades de estar assim com ele, das nossas palhaçadas, dos nossos atrofios, de ele, assim que me vê me dar um elogio e um minuto depois, dez insultos; temos uma enorme cumplicidade. 
Gosto mesmo muito dele, ele é das poucas pessoas que melhor me conhece lá, daqueles que consegue sempre por-me a rir, que goza comigo, que me apoia sempre; é aquele que daqui a uns dias me vai deixar andar na mota :p; gosto do sentido protetor dele e odeio quando me faz perder todos os jogos -.-'. 
Mas pronto, tirando isso e apesar de tudo o que já se passou entre nós, é um excelente amigo! Alguém que eu quero aturar por muitos anos :x.

  Renato, festa Freixoeiro 2012 
(demorou para tirar esta foto, mas valeu a pena! )

terça-feira, 23 de julho de 2013

Momentos...
É exatamente disso que a vida é feita, de momentos. Momentos que temos que passar, sendo bons ou maus, para própria aprendizagem. Sem nunca esquecer do mais importante: nada na vida é por acaso, absolutamente nada. Por isso, temos que nos preocupar em fazer a nossa parte, da melhor forma possível... A vida nem sempre segue conforme a nossa vontade, mas ela é perfeita naquilo que tem que ser...

domingo, 14 de julho de 2013

Há coisas que um simples texto não pode descrever simplesmente porque só quem está presente sabe, sente, vive!... Sempre ouvi dizer que a vida é feita de pequenos momentos e são estes que fazem a diferença! É assim, é o Carpe Diem. É isso que tem acontecido, não temos algo sério, mas somos fieis um ao outro e, quando podemos, estamos juntos, aproveitamos, matamos as saudades, vivemos com intensidade o momento! 
E de uma coisa eu tenho a certeza: estou, cada dia que passa, a gostar mais. Talvez nem devesse ter acontecido, talvez nem vá resultar, mas enquanto isso, enquanto vemos se resulta ou não, vamos aproveitando as oportunidades que temos; vamos vivendo a 100% cada momento, sabendo sempre que, caso não resulte, vamos continuar (pelo menos eu espero) com esta belíssima amizade!

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Há muito que não me sentia assim... quando eu pensava que tudo estava, pela primeira vez a correr bem, eis que o drama surge. As discussões com o meu pai voltaram, ele não aceita coisas que eu faço, preocupa-se eu sei, assim como sei que aquilo que ele faz/diz é para meu bem, mas ele tem que mudar! Tem que me deixar seguir o meu caminho, cair e levantar-me; tem que parar de dar opiniões e dizer que se tirei certas notas foi porque não estudei, quando sabe perfeitamente que o fiz! Há coisas que magoam, e esta foi uma delas, assim como muitas coisas que me disse esta noite, mesmo que ambos saibamos que é mentira!... já não dá mais..
Para piorar a situação, tive nega no exame que me correu melhor.. pelos vistos o meu feeling estava certo: ia tirar pelo menos uma negativa num dos exames que preciso e, consequentemente, não entro na faculdade! Está a acontecer o que eu não queria! Queria acabar o secundário com uma boa media, ir para a faculdade, deixar os meus pais orgulhosos, poder ouvir "a minha Sara já está na faculdade, vamos ter uma  psicóloga na família! É um orgulho!"; coisa que tão cedo não vai acontecer...
Enquanto escrevo isto, sinto um grande aperto no coração.. as lágrimas escorrem rapidamente pela cara, eu sabia que isto ia acontecer.. uma desgraça nunca vem só!
Estou tão farta, tão cansada.. ninguém parece compreender esta "dor". Mas pronto, já é normal...

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Algures no fim do mundo.

Se há coisa que eu gosto nesta pequena terra é o ar puro, quase sempre quente no verão, gelado e fresco no inverno; aventurar-me pelos pinhais (em muitos nem devia andar :x) e sentir o cheiro dos eucaliptos; as pessoas sempre prontas a ajudar, quer seja com uma dúzia de ovos, umas couves ou um simples conselho! Gosto de passear, posso pensar em condições sobre vários assuntos; por vezes prefiro estar cá, no "fim do mundo", a estar em casa, na cidade...
Desde pequena que sempre me habituaram a vir para aqui, ainda que agora seja diferente pois os meus avós já não moram aqui, já não me recebem de braços abertos, prontos para que eu saltasse e eles me fizessem rodar, depois eram beijos e abraços; quando os meus pais não estavam perto, a minha avó dava-me rebuçados e dizia sempre "vá, come isso e não digas nada a tua mãe!"; lá fazia eu o que ela mandava; depois aparecia o meu avô e, apesar de eu não me lembrar muito dele, lembro-me de todos os anos, pelo 1 de novembro, o dia de todos os santos, lá chamado "ti bolinhos" ele acordava sempre cedo, arranjava-se e abria a porta, sentava-se e ficava a espera das crianças...Tenho saudades deles, fazem mesmo muita falta...
 Mas bem, como sempre vim para aqui, aqueles que me conhecem, após me dizerem que estou tão grande, que não me viam há tanto tempo, de me informarem que andaram comigo ao colo (coisa que quase nunca me lembro); perguntam como vai a vida, a escola.. aqueles que "não" me conhecem ou fazem que não me conhecem ou simplesmente se esquecem, perguntam-me quem eu sou e lá tenho eu que dizer que sou a Sara, filha da Zanja e neta do Carqueja.
Nesta terra, Chão de Lopes, todos têm algo que os torna diferentes e é por isso que eu gosto tanto: o Ti João, aquele senhor super simpático que me dá pastilhas, aquele que assim que vou ao café me pergunta " então, estás boa? Como está a vida? Queres uma pastilha? Quando é que me trazes cá o rapaz?" (sim, ele quer que eu arranje um namorado e que o leve lá.. diz que não quer morrer sem o conhecer -.-); há a Sãozita e a Liliana, mãe e filha, sempre simpáticas; o Tó Manel, fiel amigo, o "maninho" da minha mãe, sempre pronto a trabalhar, em qualquer coisa; o Renato, sempre com a sua paixão pelas motas; os meus primos, João e Zézito, sempre prontos para a festa; há a Lete, sempre com um sorriso e pronta a dar chocolates e morangos; há a Lurdes, aquela senhora que, apesar de todas as dificuldades, não baixa a cabeça; existem muitas outras pessoas e depois existem aquelas que nem vale a pena nomear..
Uns quilómetros ao lado, há o Freixoeiro, a terrinha do sr.Luís, meu pai! Uma terra praticamente desabitada, com cerca de 15 pessoas (talvez nem isso). Um lugar que, desde a morte do meu avô, perdeu um pouco o seu brilho! Apesar disso, mesmo que me custe bastante, vou lá essencialmente por causa da minha avó! Ainda que tenha poucas pessoas, existem algumas que me conseguem por a rir e que me fazem lá ir também: o meu primo Alain, que antes não o suportava, mas agora já dá para ter uma conversa com ele! O "chato" do Nuno, sempre pronto a fazer apostas comigo :p... uns velhotes que não sei o nome, mas que quando me vêem me dizem sempre "Estás tão crescida! Estás mesmo parecida com o teu avô! Ele ia gostar de ver na mulher em que te tornaste!" E pronto, gosto de ouvir mas fico sempre sem saber o que dizer, porque éramos muito próximos!..
São poucos os momentos que tenho nestas aldeias, mas, no geral, são sempre bons; são uma fuga para a realidade da cidade! Ainda que lhes chame o "fim do mundo", a verdade é que existe algo que na cidade não existe: tradições, solidariedade, entreajuda, muitas coisas boas (claro que menos boas também!). Eu gosto de cá estar, custa a habituar, mas tenho sempre pessoas que me lembram que eu também faço parte disto, que me oferecem coisas, me ajudam, me deixam andar pelas hortas, apanhar fruta (mesmo que isso implique cair e bater com as costas numa pedra -.-'), legumes, tudo o que eu quiser, deixam-me andar pelos terrenos, pelos pinhais...Deixam-me ter a liberdade que na cidade não existe!