domingo, 10 de maio de 2015

#10052015

Já não o via há cinco meses. 
A última vez que o tinha visto, tínhamos ficado bem. Mas, de um momento para o outro, seguimos caminhos diferentes. As chamadas ou mensagens deixaram de existir, os desabafos e sorrisos desapareceram. O orgulho passou a dividir-nos. Mas hoje...hoje isso mudou.
 Já tinha recebido uma mensagem. Mas, cinco minutos depois, o telemóvel tocou. Era ele, novamente. Decidi atender.
Olá, mandei-te mensagem. Onde é que estás? Estou perto de tua casa e preciso de falar contigo. É urgente!
- Estou em casa. A estudar.
- Não podes sair um pouco? Preciso MESMO de falar contigo.
- Ok. Dá-me 10 minutos e já vou ter aí.

Ainda não sei bem como ou o porquê de ter ido. Sendo sincera, algo me dizia que devia ir mas, por outro lado, lembrava-me de tudo o que aconteceu. Desisti de pensar, despachei-me e sai de casa. 

- Olá! Estás atrasada.
- Olá. São só 2 minutos. Não chores. Estou aqui. 
(começámos a andar para o parque)
- Estás mais gordo, essa barriga não engana!  - empurrou-me e gozou comigo.

Aparentemente, este foi o inicio de conversa. Quando chegámos ao parque, muitas coisas deviam ter sido ditas, muitos dos diálogos que fiz durante cinco meses deviam ter sido proferidos. Mas  havia assuntos mais importantes para tratar. Durante uma hora esqueci tudo aquilo que nos separou e ouvi-o. Ouvi-o dizer tantas coisas que nunca pensei que ele fosse capaz. Durante uma hora vi nos olhos dele a saudade e a tristeza, por toda a barreira criada e por tudo o que o fez vir falar comigo. Durante uma hora voltámos a ter tudo o que tínhamos há uns tempos atrás. 

- Gostei do texto que me escreveste no meu dia de anos. Obrigada por não te teres esquecido.
- Não é por não falarmos que me esqueço do teu dia. Estava inspirada e saiu aquilo. Ainda bem que gostaste.

Sem que desse tempo para recuar, puxou-me e abraçou-me. Abraçou-me com uma força enorme como nunca tinha feito. Obrigada por me teres ouvido. Eras a única em quem eu pensava para contar isto. Obrigada por continuares a ser a criatura mais linda. Não deixes que ninguém te mude! 

É irónico ele ter dito para ninguém me mudar quando ele foi a pessoa que mais me mudou! Mas, de tudo o que aconteceu, o que mais me surpreende é ter sido ele, pela primeira vez, a esquecer o orgulho e vir falar comigo. No fundo acho que as amizades só se vêm que são verdadeiras nos piores momentos. Este é um deles. 

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